Oi, eu de janeiro.
Confesso que quando eu comecei a pensar nessa carta, não sabia muito bem pra quem direcionar. Queria falar sobre a vida e não tinha um interlocutor fixo. Então pensei em você. Falar com nossas versões anteriores sempre foi uma boa opção pra gente, né? Pois então lá vai:
Eu lembro que você tá feliz pra caramba. 2016, o pior ano da vida de um monte de gente, foi maravilhoso pra gente. A gente encontrou o amor da nossa vida, o emprego dos sonhos, ganhou uma grana boa num temporário nas férias, foi bem pra caramba na faculdade... Que ano.
E pra 2017 você tava com uma expectativa enorme...
Más notícias.
Deu (quase) tudo errado.
Mas calma, o amor da nossa vida ainda tá por aqui. Comecei por esse assunto porque sei que é um dos mais urgentes. Ele ainda tá aqui, sendo a pessoa maravilhosa que ele sempre foi, desde o primeiro dia. E, acredite ou não, a cada dia melhora um pouquinho a vida com ele. Em todos os aspectos. Todos mesmo. Sim, nesse também, mas vamo deixar isso quieto porque vai que alguém da família um dia visita esse blog?!
Mas de resto... Vou te contar: ladeira abaixo.
Nosso emprego dos sonhos já era. Não, óbvio que a gente não foi demitida. A gente nasceu praquele trabalho. Mas a empresa fechou. Sabe como é, né? Crise.
Isso foi em maio, logo depois do nosso aniversário.
De lá pra cá, a gente começou em outra empresa, teve a primeira demissão da vida e teve que encarar que nem sempre a gente é perfeita em tudo. Mesmo quando a culpa não é nossa.
De grana, consequentemente, tamos mal. E logo na hora que o celular pifa, o computador não funciona direito, o ar condicionado quebra, a carteira de motorista vence, o carro precisa de vistoria... Tudo junto pra falir a gente ainda mais.
Nossas notas caíram. Nada absurdo, mas a gente tirou um seis. Sim, eu sei. Foi mal, juro que não foi culpa minha.
E, pra completar, ontem a vovó sofreu um AVC. Quer dizer, a gente não sabe ainda se foi ontem, porque ontem encontramos ela caída, apagada, desmaiada no chão da casa dela em Penedo. Não a gente no sentido de nós duas, como foi no caso do vovô. A gente no sentido de a família. Mamãe tá um caco.
Mas ó, essa não vai ser uma carta triste. Agora, com dezembro chegando e esse ano-cocô acabando, as coisas parecem estar se encaminhando pra dar certo.
Conseguimos um emprego novo (dessa vez emprego mesmo, não estágio) e tá sendo bem legal (pelo menos a primeira semana). É no Centro da Cidade e a gente tá indo sozinha, sem nem congelar de medo daquele lugar!
Ou seja, tá entrando um dinheirinho na conta. E tão surgindo outras propostas bacanas, também. Cruza os dedos.
A faculdade tá acabando. Monografia tá pronta, tem só mais dois trabalhinhos pra finalizar. Vai dar tudo certo, respira. Semana que vem não tem mais nada.
E a vovó já vai ser operada. Tá estável.
Acho que resolvi te escrever, afinal, porque precisava mesmo falar comigo.
Dizer pra eu acreditar. Reforçar a fé.
A gente consegue.
Vai ficar tudo bem.
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