terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Gota

E então, ela estava chorando. Simples assim. Do nada, sem motivo grande ou aparente. Ela só sabia que deveria sair correndo dali. “Vou ao banheiro”. Sua desculpa típica. Ela não chorava por besteiras desde… Desde quando mesmo? Ela não se lembrava da última vez em que tinha chorado por besteiras. E aquilo era uma besteira, com certeza. Mas somada à turbulência que agitava sua vida naquele momento, aquilo criou uma tempestade. Tempestade da qual ela não poderia fugir. Ela esbarrou na porta que estava à sua frente e se trancou lá dentro. Sentia como se estivesse trancando os sentimentos do lado de fora. Era isso que ela fazia. Ela os trancava para evitar sentí-los. Ela sabia que eles existiam, sofria com eles, mas não demonstrava. Nem para si mesma. Mas aquele momento ela não aguentou. A gota d’água, ela poderia dizer. O menor de seus problemas foi aquele que destrancou as lágrimas. E ela chorou, chorou, chorou. Saiu pela porta e voltou ao encontro das amigas. “Prendi meu dedinho na porta”. Isso explicaria os olhos vermelhos, se alguém reparasse. “Quem se importa, mulher?”

Era verdade. Quem se importava?

Nenhum comentário:

Postar um comentário