Ali, no meio de uma multidão calorosa e agitada, foi que ela
o viu. Ele vestia roupas simples, porém inapropriadas para a folia que o
cercava. Entendia-se facilmente que ele só queria escapar do amontoado de
pessoas que o cercava, fugir da bagunça. Ela, como boa entendedora que era, não
precisou de mais do que dois segundos para traçar o perfil daquele menino tão
atraente. Era tranquilo, brincalhão, apesar de preferir paz à bagunça. Suas
roupas demonstravam que era respeitador e charmoso. Naquele momento, ela, que
estava vestida de policial, torceu com todas as forças para que aquele rapaz a
fizesse de presidiária, que ele a guardasse para si. Nas frações de minuto em
que seus olhares se cruzaram, ela desejou saber tudo sobre o menino. Queria
saber se ele gostava de feijão, qual era sua cor favorita, se jogava cartas e
que esporte praticava para manter aquele tão belo corpo. Ficou curiosa a ponto
de ter vontade de descobrir quanto o menino calçava, o tipo de sorvete do qual
mais gostava e se ele gostava de filmes de terror. Queria saber seus maiores
interesses, seus mais profundos segredos e suas mais fúteis manias. Mas acabou.
O menino conseguiu, finalmente, desviar das pessoas, entrou em seu carro e foi
embora. Ele, provavelmente, nem reparou na bela mascarada que estava ali,
embasbacada, encarando sua bela face. Mal sabia ele que ela o observava partir,
certa de que sonharia com seu rosto por muito tempo depois daquele dia.
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