domingo, 10 de fevereiro de 2013

Folia

Ali, no meio de uma multidão calorosa e agitada, foi que ela o viu. Ele vestia roupas simples, porém inapropriadas para a folia que o cercava. Entendia-se facilmente que ele só queria escapar do amontoado de pessoas que o cercava, fugir da bagunça. Ela, como boa entendedora que era, não precisou de mais do que dois segundos para traçar o perfil daquele menino tão atraente. Era tranquilo, brincalhão, apesar de preferir paz à bagunça. Suas roupas demonstravam que era respeitador e charmoso. Naquele momento, ela, que estava vestida de policial, torceu com todas as forças para que aquele rapaz a fizesse de presidiária, que ele a guardasse para si. Nas frações de minuto em que seus olhares se cruzaram, ela desejou saber tudo sobre o menino. Queria saber se ele gostava de feijão, qual era sua cor favorita, se jogava cartas e que esporte praticava para manter aquele tão belo corpo. Ficou curiosa a ponto de ter vontade de descobrir quanto o menino calçava, o tipo de sorvete do qual mais gostava e se ele gostava de filmes de terror. Queria saber seus maiores interesses, seus mais profundos segredos e suas mais fúteis manias. Mas acabou. O menino conseguiu, finalmente, desviar das pessoas, entrou em seu carro e foi embora. Ele, provavelmente, nem reparou na bela mascarada que estava ali, embasbacada, encarando sua bela face. Mal sabia ele que ela o observava partir, certa de que sonharia com seu rosto por muito tempo depois daquele dia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário