sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Regressiva

Você vai morrer. Calma, não estou dizendo que isso vai acontecer amanhã, muito menos que eu sei a data em que isso ocorrerá. Tudo o que estou dizendo é que, inevitavelmente, você vai morrer. E aí o que acontece com todas as palavras não ditas e com os planos ainda não colocados em prática? Eles somem, desaparecem e torturam mentes e sonhos alheios por muitos anos. Porque você não é o único que guarda segredos. Muitas pessoas também se seguram para não dizer ou não fazer algo a seu respeito, tenha certeza. Depois da sua morte, como você pretende resolver todos os problemas que ainda existem? Como é que você vai descobrir a cura para o câncer, para a AIDS, se estiver morto? Ou talvez algo menor. Como é que seu cadáver pretende levantar do túmulo e alimentar os peixes do lago que fica naquele parque na esquina da sua casa, peixes que você alimentava todos os dias de manhã? Você pretende voltar dos mortos só para ouvir a sua melhor amiga reclamar das notas, dos namorados, da vida? Você não pode, querido. E todos aqueles “eu te amo” que você tem tanto medo de dizer, sabe? Então, são eles que vão ficar vagando para sempre em algum espaço indefinido. Ninguém vai ouví-los, e talvez até duvidem que eles um dia pensaram em existir.

Você vai morrer, e não há nada que você possa fazer em relação a isso. Que tal então viver com toda a intensidade para, quando você for, poder descansar em paz?

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