Feijão com arroz é tranquilo. Opostos, afinal, se atraem. Todo mundo aprendeu, lá com o Renato, que não tem problema eles não serem nada parecidos. Afinal, ela era de leão e ele tinha dezesseis. E todo mundo diz que ele completa ela e vice-versa, certo? Opostos, afinal, se atraem. Mas isso não funciona pra tudo. Se ele é de escorpião e você de touro, até surge um certo conflito, mas o zodíaco ainda diz que a combinação dá certo. Se ele passou um ano em Paris e o máximo de francês que você sabe é o que aprendeu em um episódio de desenho animado na infância, a história tem tudo pra se tornar um daqueles clichês Disney no qual os dois, mesmo sendo de mundos totalmente opostos, dão certo no final. Opostos, afinal, se atraem. O que ninguém conta pra gente, desde sempre, é que nem toda oposição dá certo. Se ele acha que lugar de mulher é na cozinha e você já cansou desse papo machista, amiga, foge. Não adianta lutar pra oposição funcionar sempre. Se você é ativista dos direitos humanos e ele acha que bandido bom é bandido morto, aceita logo que não vai rolar. As pessoas não mudam por ninguém que não seja elas mesmas. Certos opostos, a gente uma hora aprende, se repelem. Tenta colocar, frente a frente, alguém que defende a manutenção do patrimônio histórico e um arquiteto que simplesmente precisa de um lugar específico para levantar seu prédio. Não dá. Rende uns episódios bons, umas cenas fofas, até. No fim, não dá pra ignorar os conflitos. A gente se dá bem com gente que pensa como a gente. Gente como a gente. Gente que entende a gente. Se a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte, não vai adiantar
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