sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Tabu


Acho que esse é o problema, sabe? Eu me pego pensando naquela sua pergunta o tempo todo. Pior ainda, eu me pego pensando na minha falta de resposta lógica para ela. Afinal de contas, eu sou uma mulher do século XXI, com a cabeça super atual e nenhum tabu como os dos meus pais. Por que, afinal, eu não dormi com você? Convenhamos que aquele “porque eu não quero” que eu quase soltei não convenceria nem a você, imagine a mim mesma. É óbvio que eu queria. Que eu quero? Que eu gostaria? Não é, como você imaginou, uma questão de estar guardando para o momento certo. Deixei de procurar algo assim quando comecei a me interessar mais por sensações do que por pessoas, sabe? Viver o momento, como tantos dizem por aí. E nada seria mais vivência do momento do que ter ido com você pra sua casa e feito tudo o que passava nas nossas cabeças naquele momento. Ah, céus, como parecia uma boa ideia. Mas ao mesmo tempo, parecia a coisa mais estúpida do mundo. Aquele martelinho da caretice ficava batendo na minha cabeça. Ou seria o martelo da consciência? Eu queria saber diferenciar. Fico voltando a esses momentos o tempo todo, procurando justificativas para o sim e para o não. E suas atitudes, meu bem, só me levam à gratidão pela minha escolha. Afinal de contas, não importa o quão boa fosse nossa noite juntos… Eu tenho certeza que ia adorar ainda mais um café da manhã compartilhado depois dela. E isso, aparentemente, você não está disposto a me dar.

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